
Quando trabalhamos numa cidade cosmopolita como New York, é importante conhecer o potencial de uma cultura e usá-lo em nosso negócio. A habilidade social, por exemplo, é a capacidade de encantar as pessoas, de transformar o consumidor em fã.
Tenho observado, por mais de 8 anos vivendo nos Estados Unidos, e tenho confirmado com uma grande quantidade de amigos compatriotas e de outras nacionalidades: o brasileiro é visto, pelo estadunidense, como uma pessoa que tem boas habilidades sociais.
É muito mais fácil de entender o nosso comportamento quando nos comparamos com a cultura de outros países. Existem nacionalidades que são mais criativas e famosas pelas boas ideias para propaganda; já outras são mais disciplinadas, o que é importante para manter processos contínuos.
Há pouco tempo, ouvi um comentário de um excelente profissional inglês, dizendo que não sente necessidade de ter amigos e contato social. Um comportamento assim é raro na maneira brasileira de ser, mas é perfeitamente aceitável na cultura inglesa. Quem já leu os contos do personagem inglês Sherlock Holmes, sabe que seu único amigo, mesmo que não admitisse, era o “elementar” Doutor Watson.
Nos meus primeiros contatos com a vida nos Estados Unidos, fui convidado para uma tradicional festa do Independence Day, junto com uma amiga brasileira. Para quem não conhece, o Independence Day é um feriado nacional, em pleno verão, no qual todos se reúnem para um barbecue (não vou chamar de churrasco, pois sou gaúcho e sei que churrasco é bem diferente, apesar de eu não comer carnes!) e, à noite, se assistem aos lindos shows de fogos de artifício.
Nesta festa específica, éramos umas 10 pessoas. Houve um momento em que se fez um silêncio e o anfitrião solicitou: “vocês que são brasileiros, animem a festa”. Num primeiro impacto, aquilo me soou muito estranho. Por que nos pediram para animar a festa? Então, percebi que somos, de verdade, culturalmente habituados a interagir com os grupos em que estamos, mais do que outras nacionalidades. Tomei o pedido como um elogio, porque sabemos perguntar opiniões, interessamo-nos pelas respostas e fazemos conexões entre a resposta de uma pessoa e o comentário de outra. Sabemos dinamizar uma conversa.
O brasileiro é, geralmente, acostumado a ser flexível no trato humano e acolhe as pessoas muito bem. Tentamos nos comunicar, mesmo sem conhecer o idioma. E somos mestres na comunicação gestual! Podemos nos orgulhar deste ponto forte em nossa cultura brasileira e devemos usá-lo como um diferencial para triunfar nos negócios, nas terras do Tio Sam.
Escrito por Marcelo Tessari em 2016.