FAZENDO O CAMINHO DE VOLTA

 Cartagena, 28 de novembro de 2018.

Talvez Marcelo e eu sejamos os “tios” do hostel em que estamos em Cartagena.

Ele com 44 e eu com 43 anos. Estamos mais próximos dos 50 do que dos 20 anos. A cabeça, não. Já trabalhamos um monte, fomos empresários bem sucedidos, ganhamos bastante dinheiro, mudamo-nos para New York, viramos cidadãos estadunidenses e agora optamos por fazer o caminho de volta à simplicidade.

Não porque seja a melhor opção, mas só pelo exercício de sermos pessoas altamente adaptáveis. Eu tenho um dom de fazer dinheiro, com o trabalho a que me propuser. É um dom mesmo. Nunca vai me faltar oportunidade e dinheiro. Houve um tempo em que trabalhava muito, ganhava bastante e só saia da minha casa para ficar em hotel bom. “Se não for para ter muito conforto, nem saio de casa”, era minha frase padrão.

Até o dia em que fui para Cuba e ficamos com uma família de lá, numa casa pobre, num bairro pobre. A primeira reação foi: “o que eu vim fazer aqui, em vez de ir para um hotel em Orlando descansar?” Passado um dia, comecei a  refletir no que eu tinha me transformado: uma pessoa desconfortável com a pobreza! Que pobreza a minha, como ser humano. Sentia-me desconfortável com a pobreza, mas confortável em trabalhar horrores para acumular mais. “Nem 8 nem 80, querida Marisol”, dizia eu, nos meu diálogos internos. Trabalhar por uma causa é maravilhoso, e compartilhar casas humildes também.

A questão é o poder de adaptação, conforme a música toca. Se eu bem me conheço, vou viajar e dividir casa até me cansar. Depois, trabalho um pouco e passo para algum lugar alugado no Airbnb. E se eu chegar a me cansar disso, trabalho um montão e fico em bons hotéis. Assim, deixo de ser besta em estabelecer padrões que vou pagar com meu tempo de vida. Como cantaria Elis Regina: “nem sempre ganhando, nem sempre perdendo; vivendo e aprendendo a jogar” 🎶🎵

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